Certas coisas parecem ser ridiculas, mas ainda assim são interessantes de contar.
Ontem eu baixei o episódio final de Digimon 2.0. Vocês poderiam me perguntar, porque o episódio final? E eu respondo... Para poder me emocionar outra vez com o final dessa joça.
Nem todo mundo sabe, mas até hoje a única coisa na televisão que já me fez chorar foram os finais de Digimon (em especial de Digimon 2.0). Mesmo sendo uma série caça-niqueis, mesmo não tendo mais continuidade na história apartir da série Tamers, todos os finais de Digimon me emocionaram de algum jeito.
Acho que muito disso está ligado com a história e a manira com que vivi minha infância e adolescência.
Eu sempre fui muito sozinho. Poucos amigos, poucas palavras, muita imaginação... Até hoje é dificil lembrar alguma vez que tive mais que 2 ou 3 amigos aqui em casa (Fora os aniversários). Minhas brincadeiras sempre eram sozinho, no tapete da sala, ou no gramado da minha avó. Isso não me incomodava tanto, mas, é claro que as vezes me apertava o peito me ver lutando sozinho contra o que minha imaginação criava... Era como ser o Jaspion, só que sem a Anri e a Mia.
Digimon tem muito disso. Crianças teóricamente sozinhas, que encontravam conforto nos Digimon e conseguiam solucionar seus problemas de convivio. Em Digimon 2.0 isso fica ainda mais evidente na figura de um personagem, Yukio Oikawa.
Ele e o pai de Cody (um dos protagonistas) eram amigos de infância e tiveram um contato superficial com o "proto-digimundo". Com o avançar do tempo o pai de Cody se tornou policial, enquanto Yukio seguiu na área da computação. Até aí a história segue tranquila, até que o pai de Cody morre e isso abala considerávelmente Yukio. Uma das melhores cenas é ele com um notebook em frente ao túmulo chorando e contando que havia conseguido criar dois digimons, e que não era justo ele ter morrido sem antes terem conseguido ir para o digimundo.
Mas cortando essas partes e seguindo mais adiante, descobrimos que Myotismon usa o corpo de Yukio para chegar até o digimundo e produzir dentro de crianças desacreditadas as Sementes das Trevas. Para não deixar isso extremamente chato, no final Malo Myotismon é destruído e Yukio finalmente consegue chegar até o digimundo. Lá, ele já muito fraco, vê que a infecção de Myotismon condenaria o lugar e em um sacrificio que leva lágrimas aos meus olhos dá forma ao seu desejo e se transforma em dados, restaurando a dimensão. Isso, é claro, quando finalmente encontra seu parceiro digimon, Pipimon. Em uma linha de diálogo muito simples, mas também muito tocante, Pipimon pergunta porque Yukio já vai embora (morre se tornando dados) se depois de tanto tempo finalmente tinham se encontrado.
Nessa cena simples é que está a beleza. O maior sonho de Yukio era ter efetivamente tido contato com o digimundo, seu erro foi ter escolhido o caminho errado para isso. Aí está a emoção do final... É uma história sobre sonhos e sobre como realizá-los.
É claro que a maioria das pessoas não deve nem ter dado a menor pelota para a mensagem, ou qualquer coisa que valha no desenho. Muitos apenas devem ter assistido esporádicamente e fim... Mas, como eu era estranho e sozinho, a história me tocou bastante.
Acho que é por isso que eu ainda sou um sonhador e um otimista incurável. E também porque eu quebro tanto a cara por culpa disso... .-.
Mas eu não ligo. Quem sabe o meu parceiro digimon não esteja me esperando, nem que seja só para um minuto de conversa, antes que eu tenha que partir e fazer parte de algo maior. ^^